2009-05-20

Presidente da Câmara britânica renuncia e pede desculpas

Jornal do Brasil

LONDRES - Tornando-se o primeiro político britânico a deixar o cargo em mais de 300 anos, o presidente da Câmara dos Comuns (Câmara Baixa) do Reino Unido, Michael Martin, apresentou ontem sua renúncia após as pressões recebidas pelo escândalo dos gastos por parte dos deputados na lista de reembolso da Câmara.

...

Apesar de Martin não estar diretamente envolvido no escândalo dos gastos dos legisladores, ele foi acusado de permitir que tais violações ocorressem sob sua presidência. Martin resistiu às reformas para que os gastos dos legisladores fossem mais transparentes e lutou para bloquear a publicação das reclamações sobre o reembolso em um reflexo da relutância dos próprios deputados.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/05/19/e19057877.asp

Reparem bem no grifado: ele não estava diretamente envolvido no escândalo. Mesmo assim foi obrigado a renunciar.

Esse é um sistema político sério, que respeita o eleitor e o cidadão. No Reino Unido a opinião pública é ouvida pelos políticos.

Já no Brasil, o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do Conselho de Ética, declarou:

“Estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Nós nos reelegemos mesmo assim.”

E ele impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF) um mandado de segurança, tentando ser reconduzido à relatoria do processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética. O STF se negou a dar seguimento.

Faço duas ponderações a respeito. A primeira é que o STF não pode ser corte para decidir assuntos de natureza político-partidária exclusivamente. Tais assuntos devem ser decididos dentro das casas legislativas em que ocorrerem, Senado, Câmaras e Assembléias Legislativas.

A segunda é que a escala de valores éticos na política é de uma relatividade que beira à loucura. Tudo que ameace os privilégios dos políticos é tratado como ameaça para a própria democracia. Tudo que proteja os privilégios dos políticos é tratado como proteção para a própria democracia. Dois pesos, duas medidas.

E ainda existe a velha questão da moralidade versus legalidade. Pode ser legal (de acordo com a legislação do momento) um político entrar na justiça para garantir um “direito”, mas nem sempre será moralmente aceitável tal recurso judicial.

Quando é que o político brasileiro vai tomar vergonha na cara?


Comentários:
Britânicos já acordam se desculpando... Quantos britânicos teriam que acordar para cubrir as cagadas de um único deputado nosso?

O político brasileiro é um adolescente megalomaníaco: Sem limites, delira que é intocável e - quem sabe? - imortal.
 
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